Violinos, violas e violoncelos ecoaram nos sempre silenciosos corredores atraindo olhares curiosos e cada vez mais brilhantes à medida que seus donos eram tocados pelos acordes das canções de suas infâncias. Quem estava presente no Hospital Evangélico de Vila Velha, nesta segunda-feira (16), e pode conferir a apresentação para lá de especial da Orquestra Camerata Sesi/Findes, com certeza teve um início de semana bem diferente do habitual.

Poucos acordes foram suficientes para iniciar uma viagem no tempo e trazer ao presente lembranças queridas da infância, dos momentos em família ou até mesmo aquelas há muito já esquecidas. Uma viagem perceptível no semblante de quem deixou um sorriso se desenhar aos poucos no rosto, mesmo diante dos dias de grandes desafios a serem superados nos quartos, nas enfermarias e nos leitos da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Evangélico.

Foram canções como “A Christmas Festival” ou “Noite Feliz” que trouxeram à tona as emoções mais profundas dos espectadores da Camerata Sesi, fazendo-os esquecer por alguns minutos de suas batalhas pessoais, revivendo a chama da esperança tão presente às vésperas de Natal. O momento também proporcionou a realização de sonhos, como o da paciente Julia Francisca dos Santos Silva, de 56 anos, que nunca tinha presenciado uma orquestra de perto.

“Eu senti uma emoção muito grande, pois nunca tinha visto nada igual. Fiquei tão emocionada e feliz, que cheguei a chorar. Foi um grande presente para mim e acredito que para todos. Esse gesto trouxe muita felicidade para nós, que vivemos neste momento em um hospital, foi uma tarde maravilhosa”, declarou.

 

 

Conexões

Há quem diga que a música tem a capacidade de conectar as pessoas de uma forma mais profunda do que a maioria das coisas. A psicóloga musical e professora da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, afirma que “a música transmitida de geração em geração forma as nossas memórias autobiográficas, preferências e reações emocionais”.

E tal fato foi realmente sentido por cada um presente ali, neste momento de se reencontro consigo mesmo, com sua própria história e com a esperança de que os desafios serão superados e um novo dia sorrirá para cada um deles.

“Foi um momento tão lindo, que cheguei a chorar, porque eu gosto muito de música. Às vezes, nós ficamos pensando tanto nos problemas da vida, que quando ouvimos uma música como de agora sente uma felicidade extrema. Receber algo tão lindo, dentro de um quarto de hospital, onde está todo mundo muito sofrido, é uma alegria sem igual, nos traz um alento para o coração e a certeza de que o menino Jesus sempre nos traz a paz”, relatou dona Maria Helena Zorzal Santos, 68 anos, que acompanha o marido no hospital.

Essa tarde de concerto especial de Natal para os pacientes do Hospital Evangélico foi construído em várias mãos, como ressaltou o diretor de Relações Institucionais, Ricardo Ewald. Além da Camerata Sesi/Findes, o momento que faz parte do programa de humanização do hospital contou também com a parceria de Miguel Allende, diretor da Aliança Francesa, e o decorador Sergio Menezes de Almeida, que decorou a unidade para o Natal e distribuiu flores aos pacientes durante o concerto.

Por Fiorella Gomes

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